Tulsa estava tranqüila como sempre. A cidade pequena, naquela época do ano era mais calma ainda, ótimo para trabalhar quanto para descansar quando fosse preciso.
7 am. O relógio desperta no apartamento de Jane. Como sempre, ela se assusta com o barulho irritante e alto que aquele mini relógio podia fazer. Todas as manhas ela se perguntava os motivos de ainda estar usando o aquele aparelho, mesmo acordando sempre de mau humor.
- Puta que pariu! Pô, será que ele não se toca? Credo. Ficar gritando a essa hora da manha, pelo amor de Deus, que merda. - falava ela como se tivesse um outro alguém por ali, para ela se queixar.
.. aquele despertador realmente alterava os ânimos daquela grávida.
Jane acordava todos os dias às 7 horas da manhã, tomava um banho, e ia direto para o trabalho. Ela já estava de 3 meses, por isso sua barriguinha estava suavemente para frente, mostrando os primeiros vestígios de sua gravidez. No caminho para o trabalho, Jane finalmente resolvera parar no meio do trajeto, para entrar na lojinha que ela mais gostava, a “Bounce for Fun”.
***
- Isso é que é conforto!! Agora sei porque você gosta tanto de vir para cá. - Paola estava se referindo ao carro que era da empresa, mas George podia usar enquanto estava em tulsa, e ao apartamento que também era cedido ao marido de negócios. Agora eles já haviam deixado as coisas no apartamento e estavam indo até a empresa.
- Gostou?
- Se gostei?? Ainda não sei porque nunca tinha pedido para vir junto. Posso ficar andando pelas redondezas, enquanto você resolve as coisas pela manha? Só espero não me perder.. - Paola falava olhando pela janela e admirando a cidade simpática que era Tulsa.
- Claro, perto da empresa tem uma ruazinha encantadora com lojinhas que vão lhe tomar horas de distração. Já já estamos chegando.
Enquanto não chegavam ao destino, George ligou o radio do carro para distrair. Tocava uma musica muito gostosa do Crosby, Stills, Nash, & Young, chamada “Teach Your Children” que ele conhecia muito e cantava junto:
“You, who are on the road
Must have a code that you can live by
And so become yourself
Because the past is just a good bye.
Teach your children well,
Their father's hell did slowly go by,
And feed them on your dreams
The one they picked,
The one you'll know by.
Don't you ever ask them why,
If they told you,
You will cry,
So just look at them & sigh
And know they love you.”
Jane veio em sua cabeça. A musica o fez refletir sobre a idéia de ser pai, das grandes responsabilidades, e só naquela hora ele percebeu que em menos de meia hora, estaria se encontrando com ela. Graças a Deus, Paola não estaria por perto.
- Chegamos!
- Ai George! Q linda!! - disse ela se referindo a ruazinha cheia de lojinhas. Milhares de apetrechos para olhar. Paraíso feminino.
- Pronto, aqui é seu ponto. Vou te deixar aqui, e meio dia em ponto, estarei neste mesmo lugar, debaixo dessa mesma placa. Por favor, não se perca!! - Dando um beijo de “xau”, eles se despediram.
A primeira lojinha da rua, era a mais arrumadinha de todas e que tinha de tudo. Era a “Bounce for Fun”. Podia-se encontrar desde palito de dente, panela, calcinha ... até relógio de despertar.
Paola abriu a porta, entrou, e começou a olhar o que a loja oferecia. Ela estava encantada. Como não queria perder muito tempo numa lojinha só, resolveu comprar qualquer coisa, apenas uma lembrança e se quisesse, poderia voltar mais tarde com tempo para olhar melhor. Ela pegou umas pulseiras da moda que não se encontrava na Dinamarca e foi até o caixa para pagar. Na frente dela, tinha uma mulher muito bonita, com um brilho radiante de dar inveja e não parava de falar no quanto ela estava se programando para passar naquela lojinha para trocar o seu... despertador.
- Aquele diabinho me deixava looouca todas as manhãs!! Como é que pode?? - Jane comentava com a mulher do caixa. E Paola só ouvindo.
- Esse que a senhora comprou..
- Senhorita. Ainda não casei.
- Me perdoe, é que, é que.. bem, eu olhei para sua barriga de grávida e então achei.. - a mulher do caixa tentava se desculpar da gafe.
- Tudo bem. - Jane sorriu - Bem que eu gostaria de estar casada.- Pausa. Jane pensava no George casado com outra mulher, mas não queria explicar nada a ninguem - Mas ele não pode. - outra pausa - Então, estou aqui, barriguda e trabalhando numa das maiores empresas da cidade, não é maravilhoso?
- É. É sim. Com certeza. E um filho na vida da gente é sempre uma alegria.
- Desculpe, mas eu não pude deixar de escutar o que você falou, mas, você está grávida? - Paola se meteu na conversa.
- 3 meses. - Jane falou com um sorriso de orelha a orelha. - Espero que seja uma garota...
O sino no relógio maior tocava. Eram nove horas. O barulho interrompeu a conversa das duas que já estavam do lado de fora da loja, encostadas no carro de Jane, falando de roupinhas de neném. Jane falou que estava um pouco atrasada para seu trabalho e quando falou onde trabalhava, Paola ficou muito feliz, pois era exatamente onde seu marido estava. Jane ofereceu uma carona até a empresa.
- Você se sentiu muito mal no começo da gravidez? - Paola perguntava para Jane enquanto não chegavam na empresa.
- Não. Não muito. Eu me cuidei bastante... e também, eu trabalho tanto, que nem teria tempo para isso. - As duas riram.
- Eu estou pensando em engravidar. Acho que já estou na idade certa. E depois, se eu esperar mais um pouco, meu corpo não vai ter a mesma elasticidade..
- E vai cair tudo. Eu sei disso tudo e me preocupo um monte com isso. Por isso uso vários cremes.
- isso mesmo. Incrível como você me entende.
- Somos mulheres, não somos? - elas riram novamente.
- Espero poder ficar assim, bonita como você, sem engordar muito, quando eu finalmente estiver esperando meu filho.
- Eu mal agüento esperar essa criança nascer para retomar as minhas aulas de ginástica. Me faz muito bem e .. o meu amor gosta.
- Seu amor? Mas você não disse que não era casada, e que ele não podia casar e tudo mais?
- Disse. E isso é a pura verdade. Na realidade, ele é casado. -
Silencio.
- Coitada de você. - Paola falava morrendo de peninha da nova amiga.
- Não se preocupe. Estou bem. Sei que o pai desse filho é maravilhoso e vai estar me acompanhando em tudo. Ele tem feito assim a muito tempo, não vai ser agora que ele vai desistir. Mas ainda não sei se ele já aceitou bem a idéia de ser pai.
- Eles nunca aceitam. - Paola falava lembrando da curta conversa com George no Aeroporto.
- Diana.
- Perdi alguma coisa?
- Espero que seja uma garota. A Diana.
- Você fala com o pai da “Diana” com freqüência?
- Mais ou menos. Nossa relação é um pouco complicada. - Jane começa a explicar para Paola, que agora era a sua confidente - Nos vemos apenas umas sete vezes ao ano. - Paola solta um som que pode-se caracterizar um susto momentâneo - ele não é daqui.
- Ah, ele mora em outro estado?
- Não. Outro País. - Jane disse fazendo a curva, da rua da empresa.
- Deixe me adivinhar: Argentina? Brasil? Dizem que o Brasil é o país mais lindo de se visitar no verão. As praias.. Ahh.. As praias.
- Nem passou perto. - As duas riram. - Chegamos!!
George, assim que entrou na empresa, foi atrás de Jane, na sua sala para por fim, poder conversar com ela a respeito de sua gravidez nem um pouco esperada. Decepcionado com a ausência de Jane, George resolveu ir resolver algumas coisas mais urgentes, antes de procura-la novamente. Ele estava recebendo algum tipo de material para a empresa, que apenas ele entendia do que se tratava. Ele estava na parte externa, olhando a entrada e saída dos caminhões. Por enquanto, estava tudo tranqüilo.
Em menos de um minuto, George pode avistar o carro preto de Jane entrando no estacionamento e então, foi a sua direção. Jane ao vê-lo de longe, não se importou com a presença de Paola dentro do carro e assim que avistou George, começou a buzinar e a gritar palavras românticas do tipo:
- Hey! Sweetyheart!! Você chegou!! Você está aqui!! Eu te amoooo!! - A buzina ajudava
- Como assim? O pai do seu filho vem da..
- Dinamarca? Sim! Ele não é lindo?
- Maravilhoso, lindo e morto.
***
A primeira troca de olhar, o primeiro beijo, todos aquelas lembranças de que os bons momentos proporcionavam a Paola, com sua vida junto com o George, bom.. nada fazia mais sentido agora. Era o escândalo: Em1960, George tinha uma amante.
Pasma, Paola tentou sair do carro em ainda movimento, queria tomar algum tipo de atitude. Bater em Paola, matar George.. ou simplesmente não ser ela mesma por algumas horas.
George não havia notado sua presença dentro do carro de Jane. Nem em seu pior pesadelo. A vontade de sair correndo para qualquer lugar, estava estampado no pânico de George. Então, ele simplesmente ficou onde estava, parado, esperando o mundo cair em sua cabeça.
Jane só ficava olhando para Paola, que antes era sua confidente, e agora uma inconseqüente, e resolveu começar logo, aos berros, as explicações:
- VOCÊ? - Jane apontou para Paola como se quisesse confirmar que era mesma esposa dinamarquesa de George.
- You BITCH! Sua ladra de maridos!!
- Por que você não me disse quem era antes?
- E que diferença iria fazer?
- Primeiro, você não estaria no meu carro, - apontava para ela mesma - e depois, eu não teria confiado em você! - apontava para a outra mulher.
- Confiar?? CON - FIAR?!! Olha quem está falando!! Você rouba meu marido, e ainda discute confiança? - Paola caminhava aos berros dando a volta no carro, parando na porta de Jane..
George olhando Paola se aproximar de Jane, ficou apreensivo, mas mesmo assim, ainda não sabia o que fazer, para onde ir e o que falar para todas aquelas pessoas que estavam na janela para ver de onde estava vindo tanto movimento negativo. Normal, cidade pequena e calma, onde tem escândalo, o povo cai mesmo em cima. George ainda jurava estar vendo algum flash, e quando se virou para ver de onde vinha, só ouviu um - Sorry!.
- George??!! - Paola o procurava com os olhos, no meio do estacionamento - Todos esses anos, nosso casamento era uma mentira? - Ela tinha o achado.
- Pois é.. - George sussurrava olhando para baixo.
- Não precisava ser tão sincero..
- Mas querida..
- Querida o Cacete!
- Paola, eu não esperava que isso poderia acontecer, a Janinha ficou grávida e eu já estou a um tempo para lhe contar, mas, mas a coragem não vinha.. e eu olhava para você e eu não queria te magoar..
- Não queria me magoar? ME magoar? Ainda bem que você me avisou isso, George, por que agora eu estou me sentindo bem melhor! - Paola ironizava para mostrar sua fúria. - E todas aquelas nossas ultimas noites de amor, que me dediquei a você, a te amar.. Tudo aquilo, foi por pena? Hein George? - Paola perguntava cruzando os braços esperando por uma resposta.
- Paola, olhe para Jane.. - eles já falavam civilizadamente agora.
- George, não queira que eu faça isso de novo!
- Mas Paola, não vamos discutir isso aqui em público.. A Jane está num estado delicado, e não quero complicar mais a situação - George diminuiu a voz e continuou - a minha situação.
- Jane, deixe a chave com o moço do estacionamento, ele guarda seu carro para você, pois não estais em condições para isso. Vem, vamos.. - George já estava perto das mulheres e então pegou no braço de Jane para ajuda-la a caminhar ate a empresa.
Já dentro da Empresa, numa sala não muito movimentada, os três se trancaram para discutir o que fariam de suas vidas depois de todas aquelas descobertas que mudou a vida de Paola, George e Jane.
A conversa durou muuito tempo. Passou meio dia, três da tarde, oito da noite e finalmente as nove horas, tinham decidido: Paola voltaria naquela mesma noite para a Dinamarca, para a casa onde ela morava com seu ex marido agora, e George ficaria em Tulsa com Jane, para cuidar do filho que estava por vir. George iria buscar suas coisas assim de tivesse uma boa oportunidade e paciência para se encontrar novamente com Paola. Ela estava muito magoada.
Um comentário:
pobre Paola...
vai se meter com os "meant to be"... isso é o que acontece...
fazer o que???
é como eu sempre digo: não dá para ser feliz para todo mundo...
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