segunda-feira, setembro 11, 2006

Capítulo 11

39ºC, Florianópolis, SC – Brasil – Dezembro de 2001. Sol escaldante, asfalto soltando fumaça. Sábado era um dia que sempre tinha muita coisa para fazer. Almoço no shopping com as amigas, compras na lojinha de coisas fofas só para dizer que gastou alguma coisa e se sentir bem com nós mesmas.. programar algum lugar para dançar e comer alguma coisa para dar umas belas risadas, ver gente bonita.. E descansar da semana longa que havia passado, a ultima semana de aula antes das férias de verão. Agora era só abrir os braços e aproveitar.. ou...

Triimmm... [Toca o telefone na casa dos Vitorino]

-Alô? – Uma voz feminina atente o telefone
-Oi! Aqui quem fala é a Angélica, do Rio de Janeiro, a Mari está?
-Oi, querida! Tudo bem com você? Claro que a Mari está, ela sempre espera você ligar nesse horário, já que a ligação não é de muito perto, não é?
-Pois é.. aah, que bom.. posso falar com ela? – Angélica estava ansiosa.
-Claro! Só um instante que ela deve estar no quarto ouvindo som muito alto, para não ter ouvido o telefone tocar.
-Deixe-me adivinhar.. Hanson? – Angélica ria no telefone.
-Na mosca! Só um pouquinho.. – A mãe da Mari, a Dona Márcia tampa o bocal do telefone e grita perto da porta da Mari – Máaaaariii.... Máaari, telefone para você! É a Angélica, você atente ai?

Mari abre a porta do quarto e se depara com a mãe segurando o Tel..

-Aqui, mãe.. pode deixar que eu já atendo. – pega o telefone da mão da mãe – ANGELL!!! Oiii! Como que você está?
- Mari! To muito bem e você? Muito ansiosa?
- Eu sabia que você iria lembrar! To simm.. to com o estômago virado, mãos geladas.. aquelas coisas normais que você já deve saber.
- E sei! To ligando hoje para te desejar, de coração, uma ótima viagem.. que você aproveite bem NY por mim.. e que não esqueça, nunca, de nós por lá, combinado? – Angélica parecia estar com a voz embargada.
- ôOÔ, Angel.. até parece que você não me conhece! Vou escrever toda semana, nem que seja por e-mail, por que cartas além de me dar prejuízo, demora muito para chegar.. e com os e-mails já estamos acostumadas, não é? – Mari e Angélica começam a rir no telefone. Só elas sabiam a quantidade de e-mails eram trocados por dia. Dezenas.
- Então assim eu fico mais aliviada.. Vai com Deus, ta? – Angélica tinha que ser rápida, a conta de telefone era a maior inimiga dessa amizade.
- Vou com ele, e com vocês no coração. Obrigada por tudo. – começando a embargar a voz também
- Acredita que você vai viajar e nós ainda nem nos conhecemos pessoalmente?
- Não. Juro que isso ta difícil de acreditar. Mas calma, amiga.. nosso dia ainda vai chegar e ainda vou te dar aquele abraço que está mais do que prometido. Com direito a montinho e tudo. – as duas começam a rir e a chorar ao mesmo tempo.
- Te amo, Mari. Faça uma ótima viagem. Hanson Friends Forever, tá?
- Hanson Friends Forever! – já chorando – Te amo, Angel. Mande beijos as outras meninas por mim?
- Mando sim.. – dava para ouvir ela secando o rosto com a mão.
- Obrigada por tudo. Sempre. Beijoss.
- Beijos. Buh Bye.
- Bye.



Mariana era uma garota de 19 anos, estatura média, cabelos castanhos com mechas loiras, olhos da cor de mel, muito sorridente e que vivia de olho no peso. Ela não era gorda, mas quem a convencia disso? Bom, ninguém. O segredo era não tocar nesse assunto, por que ela virava uma fera. O sorriso largo e branco dava espaço para uma testa bem grande e enrugada. Mari vivia contente com a vida, era super sensível mas as pessoas não entendiam isso.. achavam que ela fazia muito drama para nada, tempestades em copo d’gua, mas na verdade ela apenas se preocupava demais com coisas que para os outros não havia importância. A Mari era especial e agora ela iria ter um momento muito importante e significante na vida dela. Estava com viagem marcada para aquela noite, um vôo com destino a NY – EUA. Iria deixar sua mãe para passar três meses fora do país com mais duas amigas: Vladiane e Lara, que eram do Ceará. Hane, como Vladiane era carinhosamente chamada por suas amigas, e Lara nunca haviam se encontrado com a Mari antes. A amizade delas não passava da Internet e trocas de cartas e telefonemas constantes, como com Angélica e mais tantas amigas. Mas isso não queria dizer que aquilo não era uma amizade de verdade.

Toc Toc Toc! - Dona Márcia batia na porta do quarto da mari..
- Oi? – Uma voz chamava lá de dentro. Mari estava arrumando as malas e cantando uma de suas musicas preferidas – Look at you, do Hanson.
- Mari, aqui estão às roupas que estavam na lavanderia, que você disse que queria levar com você. – Dona Márcia entrava no quarto com uma pilha de roupas na mão, para ajudar a filha a dar os últimos retoques na mala. Afinal, NY a essa época do ano, estava muito fria. – Tem certeza de que você vai conseguir levar isso tudo? – olhando para todas as roupas do guarda roupa da Mari que estavam e cima da cama. – Não é muita coisa para apenas três meses de inverno?

-Ah, mas se eu arrumar um NovaYorkino lindo e resolver ficar por lá? Vou ter que estar preparada, não acha? – Falando com uma cara estranhamente séria.

- Claro.. só falta você me dizer que espera dar de cara com Taylor Hanson, no Central Park e ele se apaixonar por você? – com uma cara de riso.

- Quem sabe… - olhando para um nada na parede, como se tivesse imaginando a cena. – Não seria nada mal, hum? – voltando a realidade e arrumando as ultimas calças dentro da mala, com a mãe.

As duas começam a rir, com o absurdo que acabara de sair daquela conversa.

Coisas importantes que precisam ser ditas sobre Mariana: Além de ser vidrada em Internet, ela é apaixonada por uma banda americana que se chama Hanson. [Hanson: Três irmãos de Oklahoma que começaram a cantar novinhos e agora fazem sucesso pelo mundo todo. Fazem parte da banda: Isaac Hanson – mais velho, que toca violão/guitarra; Taylor Hanson – o do meio, de olhos azuis e que toca de tudo um pouco, mas fica próximo ao piano e por ultimo mas não menos importante, Zac Hanson – mais novo e baterista] O maior sonho de Mariana é ir num show dessa banda e conhecer além dos integrantes, as amigas que ela só conhece pela internet, mas que são tudo na vida da Mari.

-Tudo pronto! – diz Dona Márcia fechando a última mala.
-Ufa, eu achava que não iria mais acabar de aparecer roupas! – sentando na cama, cansada.
-Nem acredito que a minha menina ta indo passar tanto tempo longe de mim. – sentando do lado da filha e a abraçando.
-Ai, mãe, não fica assim, porque senão eu acabo me arrependendo de ter marcado essa viagem maluca! – olhando bem nos olhos da mãe.
-Se eu fizer beicinho, você fica? – fazendo o tal do beicinho
-aah, mãe.. – olhando para a mãe – assim também é apelação! Não faz assim comigo.. – a abraçando novamente, ao som do mesmo Cd do Hanson que estava tocando antes.. mas desta vez estava no final.. quando a mari puxa bem a mãe para a sua frente e canta o ultimo verso para ela – ‘Cause I’ll be with you in yourrr.. Dreams.’ … e uma lágrima cai, já de saudades.

As duas sorriem.

- Daqui a duas horas você terá que estar no aeroporto. Fala com as tuas amigas e avise a hora que você vai chegar para não ter desencontros, ta bom? – Se levantando, secando as lágrimas e falando enquanto saia do quarto de Mari.

Mari levanta da cama, caminha até o computador para ver se suas amigas estão On-line para combinar certinho sobre a viagem. Depois de um tempo certo para tudo estar devidamente ligado e conectado, Mari percebe que a maioria de suas amigas estavam lá, esperando a amiga para poder desejar uma ótima viagem. Lara e Hane não poderiam estar diferentes e logo abriram chat.

Hane says: Mari!
MaCherie says: Hanoka!
Hane says: Tudo pronto para mais tarde?
MaCherie says: Mais tarde? O que tem mais tarde?
Hane says: A missa do galo!
MaCherie says: mas hj nem é natal.. º.o
Hane says: hahaha sua tola, anda.. fala sério e não me deixa nessa angustia!
MaCherie says: hahaha tá tudo certo sim, hanoka! Minhas malas estão prontas, Notebook da minha mãe já está embalado, acho que não está faltando mais nada..
Hane says: humm.. já pensou nós em NY sem pc? Eu ficaria doidinha!
MaCherie says: é mesmo! Hahah, mas já arranjei. Não se preocupe. Miga, será que vamos encontrar o Hanson pelas ruas de NY?
Hane says: Bom.. é mais fácil lá do que nas ruas do Ceará, isso eu te garanto!
MaCherie says: Sua boba! Hahaha é que minha mãe tava falando hoje comigo e eu fiquei imaginando umas coisas que só acontecem em filme, sabe?
Hane says: De vc encontrar com um deles no meio da rua e eles se apaixonarem perdidamente na mesma hora?
MaCherie says: Exatamente! Como que você sabe?
Hane says: Mães, sao todas iguais.. Hj a minha também teve uma conversa comigo que me fez imaginar a mesma coisa q você! .. loucura nossa, isso.
MaCherie says: É.. loucura mesmo. Temos que nos contentar de sentir o mesmo ar poluído que eles e deu! Sem romantismo nem nada! Mas, mudando um pouquinho de assunto.. será que ta tudo certo com a Lara pra hoje?

Lara has enjoyed the chat

Mari says: Florzinha! J
Hane says: Oh, eu sabia que ela estaria por aqui a qualquer momento.. Espero que esteja tudo bem.
Lara says: Fadinhasss! Que bom que vocês estão aqui! Como estamos?
Mari says: Nervosas! hahaha
Hane says: Exatamente!
Lara says: Eu não agüento mais olhar para o relógio. Parece que ele esqueceu como que se passam as horas!
Mari says: Ih, então aqui em casa está com o mesmo problema. Lol
Hane send a voice message: - Ike rindo -
Mari says: hahaha isso nunca vai deixar de ser engraçado!
Hane says: Nunca!
Lara says: Flores, vamos? Acho que vou tomar meu banho.. arrumar mais algumas coisas e logo já tenho que ir para o aeroporto com você, hane, para irmos para onde? Onndee??
Mari says: Newww Yoorrrkk!
Hane says: \o/ Neww Yooorkk!!
Lara says: :)
Mari says: ai meu estômago, já ta revirando... q nervoso. Bom.. acho que já chegou a hora. Beijos, meus amores. Quero vê-las lindonas daqui a pouco.
Hane says: Te acalma ai, que em 3 horas, vamos estar todas juntas.. dando aquele abraço e indo rumo a América!
Lara says: Mal posso esperar! Minhas mãos estão suando frias!
Mari says: Já disse que amo muito vocês, hoje?
Hane says: hum… acho que não. ^^, ela já disse, Lara?
Lara says: Não, p mim não.. ¬¬
Mari says: Bobas. Hahaha AMO VCS! >---o---<>




Hane e Lara continuaram mais um pouco na sala de chat, enquanto Mari saía com a mãe para dar um tchau rápido para o resto da família. Era tudo igual em todos os lugares. Choradeira, abraços.. desejos de diversão.

Era seis da tarde e o avião partia às sete. Mari estava ajeitando as malas no aeroporto. Dona Márcia não queria demonstrar, mas estava tão nervosa quanto à filha. Mas era à hora de deixar a cria conhecer o mundo.. isso ela não podia negar.

Primeira chamada para o Vôo 257, com escala de trinta minutos em SP com destino a Ceará, no portão 16.

- Acho que esse é o meu. – Mari disse para a mãe.
- É. Chegou a hora – se levantando – Eu quero que você se cuide, que não incomode muito as suas amigas, mas se elas forem muito chatas, solte o cacete nelas mesmo.. não aceite nada de ninguém que você não conheça.. – gesticulando com a mão.. olhando para cima e para baixo, nervosa, querendo dar todas as recomendações para que nada desse errado.. – não aceite bala, bebida de ninguém.. e nem..
- Drogas.. – Mari terminou.
- Hum.. exato. – sem graça. Pois sabia que a filha havia escutado essas palavras milhares de vezes antes.
- Deixe comigo mãe, agora é a minha hora. – Abraçando a mãe, e dando o ultimo beijo.
- Te amo muito, fica com Deus.
- Também te amo, mãe. Logo quando chegar e se precisar alguma coisa..
- Ai meu dinheirinho... – rindo e chorando..
- Ainda bem que você sabe! – rindo e andando com a mala de mão para a moça que recebia as passagens.

Já dentro do avião, numa poltrona que ficava virada para a janela, Mari ficava pensando sobre tudo.. estava tão certa dessa viagem.. era um dos seus maiores sonhos, mas não tinha certeza de nada que poderia acontecer dali para frente.. – Good Bye mom – ela pensou quando o avião finalmente decolou.

Quarenta minutos se passaram e logo o avião estava chegando em SP. A cidade estava linda, toda iluminada pelas luzes da cidade acesa. E Mari sentia seu coração batendo mais forte, enquanto chegava mais perto da terra que, mesmo sendo brasileira, nunca tinha pisado antes. Ela tinha muitas amigas que moravam por ali, mas nunca teve dinheiro suficiente para viajar e conhece-las melhor.. E dessa vez nem deu tempo de combinarem algum tipo de encontro, mesmo sendo apenas dentro de um aeroporto.

Como era um vôo de conexão, Mari não precisava se preocupar com as malas, pois elas seriam transferidas para o próximo vôo dela, em meia hora. Agora, o que ela tinha que fazer era sair do avião, sentar e esperar!

Tinha muita gente naquele aeroporto. Mari começou a imaginar como que seria aquilo se o preço fosse mais em conta e o povo não tivesse tanto medo de voar.

-Isso seria um inferno! – Pensou alto, enquanto passava pelo primeiro corredor.

Depois de umas duas voltas pelas praças de alimentação do lugar, Mari começou a sentir uma movimentação estranha por ali.. Não que ela soubesse como que as coisas eram, mas.. o sexto sentido dela sabia que alguma coisa estava para acontecer.. ela só não sabia bem oq. Como num estrondo, quando ela virou para o lado.. só sentiu seu peito bater de frente com a coisa mais dura daquele lugar, o chão. E como se a dor não bastasse, ela sentia que tinha mais uns cem quilos em cima das costas que se mexiam, eufóricas. Mari ouvia umas vozes mas não conseguia identificar o que era... quando de repente, ela percebe que está debaixo de um montinho de pessoas e vê uma coisa que era mais do que conhecida para ela. Laranja, azul e bege. Eram quatro pulseirinhas iguais a que Mari carregava no punho como se fosse uma medalha. Era um símbolo.. Era o amor em forma de pulseira.. era o significado concreto da amizade mais perfeita do mundo... e.. tudo o que ela queria que acontecesse naquele momento, estava ao seu encontro. Depois do susto.. as quatro meninas que não se contentaram em dar apenas um abraço caloroso em grupo, mas uma coisa que a partir daquele dia, seria inesquecível... [pelo menos para a Mari.. a dor do impacto duraria mais uma semana..]..

- Mááááááriiiiiii!!! – As meninas gritavam juntas, enquanto olhavam para os olhos arregalados de uma Mari real, e não mais uma Mari que entrava às vezes na internet.

-aaahhhhhh!!!!! Meu Déeeus!!! Eu to sonhando? – Mari não acreditava no que estava vendo. As amigas de são Paulo e as que moravam perto e que podiam, estavam ali.. bem na frente dela.. bem perto.. perto o suficiente para ela poder dar um abraço que muito tempo estavam prometendo. – BELA!! MILI?!! DANI!! KEUOO!!! – pulando no mesmo lugar, como se o Brasil tivesse feito o gol da virada na final da Copa do Mundo e indo a direção de cada uma e apertando até não poder mais.

Mari parou, colocou a mão no rosto para esconder as lágrimas. Era uma emoção muito grande para ela que estava ali só de passagem.

-Eu achei que vocês tinham esquecido de mim... suas bobas. – continuando a chorar, mas agora podendo falar.
-Nós? Esquecer de você? Na verdade eu acho que te enganamos direitinho! – Bela falava pelo grupo.
-Ah, vocês estavam on-line, não foram falar comigo.. não me ligaram.. só a Angel me ligou.. achei que tinham me esquecido, uai.
-Ah, mas isso estava tudo nos nossos planos, Mari! – Dani começou explicando..
-A Angel era uma das que não poderiam estar aqui, então ela decidiu que te ligaria.. e eu, quase me matei para viajar para cá, só para te ver, nem que seja assim pouquinho... e te desejar uma viagem maravilhosa! – Mili era a que estava ali e a que morava mais longe, chegou mais perto para dar outro abraço na amiga. – Te amamos, Mari..
- Como eu amo vocês! – Finalmente soltando a Mili e olhando para todas, de uma só vez.
- Nós que te amamos. Promete não esquecer de nós enquanto estiver lá nos States com a Hanoka e a Lara? – Kel finalmente havia falado alguma coisa, ela era uma das mais tímidas do grupo, ali.
-Prometo! Palavra de Ohyeahzete! – Levantando os dois dedinhos para cima, como se estivesse numa turma de escoteiro. Todas começaram a rir.

Parada para algumas fotos de despedidas. Abraços.. e logo a frase que Mari estava adiando, finalmente se pronunciou:

Primeira chamada para o vôo 257 para Ceará, com embarque no portão 14

Aaaaww... – foi a palavra geral das amigas que mal tinham se encontrado e já tinham que se separar novamente.

- Meninas, chegou minha hora. E agora vou abusar da boa vontade de vocês e pedir aquele abraço gostoso que só vocês sabem dar.. – abrindo os braços para que as amigas pudessem se aproximar. E pronto, lá estava a Mari no chão novamente. – aahh! – dando muitas risadas.

Depois de todos os abraços, as meninas acompanharam Mari até o portão de embarque. Despediram-se novamente e então a Mari entrou. Ela estava emocionada, aquela viagem já estava começando a valer mais que a pena. Agora em menos de duas horas, ela estaria finalmente com Hane e Lara, suas melhores amigas, no mundo.

Dentro do avião.. Mari começou a lembrar do que tinha recém acontecido, um com sorriso enorme nos lábios..

- Elas são umas loucas – pensou alto, sorrindo.
- Quem? – o passageiro do lado achou que estavam falando com ele.. Mari nem tinha percebido que tinha alguém por ali, mas agora era tarde demais..
- Hum? – olhando melhor para seu vizinho.
- As loucas, você estava falando que elas eram umas loucas.. quem são? – curioso, se virando para ela para ver do que a garota estava falando.
- ahhh .. – rindo – desculpa! Eu estava com os meus pensamentos longe.. acabei me perdendo neles e falei mais alto do que devia.. Você tá muito tempo do meu lado? – espantada por não ter percebido alguém ali, bem do lado dela, com tanta beleza.. como poderia ter passado tão despercebido?
- O mesmo tempo que você – sorrindo e assustado ao mesmo tempo com o grau de ‘desligamento’ de Mari.. – Desculpe–me a intromissão, mas qual seu nome?
- Mariana – um sorriso envergonhado.
- Gustavo, muito prazer! – estendendo a mão.
- O prazer é todo meu, Gustavo – estendendo a mão também.. – Pode me chamar de Mari, se preferir.. é assim que todos os meus conhecidos me chamam..
- Ta bom, .. Mari.. – ele era realmente tímido. – Pode me chamar do que você quiser.. Gu, Gush, Tavo, Tavinho..– todos os dois riram com os inúmeros apelidos dele.
- Você está indo para o Ceará para passar umas férias? Você é de São Paulo mesmo..?
- Não, nenhum dos dois.. – Mari não deu UMA dentro – Minha família é do Rio Grande do Sul, mas desde pequeno a minha vontade era de viajar para todos os cantos do mundo.. e então, eu e mais dois amigos estamos indo para os Estados unidos para aproveitar as férias de verão do Brasil e pegar um frio enorme do Norte.

Mari estava assustada

-Que cara é essa? – ele olhava bem nos olhos dela.
-Cara de alguém espantada! – eles riram..
-Mesmo? O que eu falei é tão absurdo? – preocupado, coçando a testa.
-Não! – ela ria – Claro que não! Você não falou nada demais, não.., é que eu to fazendo quase a mesma coisa. Vou para NY com mais duas amigas para aproveitar as nossas férias. Amo viajar.. E agora eu estou surpresa com o tamanho da coincidência! Seus amigos estão aqui com você?
- Nós não vamos bem para NY... mas.. – pausa para pensar - Não vai me dizer que as suas amigas também estão aqui.. e meus amigos estão sentados com elas tendo essa mesma conversa?! – olhando os outros lugares do avião.
- Naaao.. hahaha isso não seria mais coincidência.. seria loucura!
- Verdade!
- Minhas amigas são do Ceará. Por isso que estou indo para lá agora. Vou me encontrar com elas lá.. e de lá vamos direto para NY, passar pelo menos 2 meses. – ela respira fundo – Mal posso esperar! Ihhh..
- Que foi? – preocupado.
- Meu Cd. To escutando aqui e ele ta pulando. Tenho a impressão de que ta riscado. – Fazendo cara de triste.
- Posso dar uma olhada? – Prestativo.
- Pode. Olha aqui.. – Abrindo o aparelho onde o Cd estava. No momento que ele viu qual era o Cd, levou um susto:
- Middle of Nowhere? – o analisando – Não, parece que não aconteceu nada com ele, deve ser problema no aparelho.
- Ta por dentro, hein! – esquecendo que o Cd poderia estar arranhado - Hanson é a minha banda favorita. Durante anos venho colecionando coisas sobre a banda e rezo todos os dias para dar de cara com eles pelas ruas de NY. Eu e minhas amigas, claro. – se empolgando - Eu estando no Brasil, isso nunca iria dar certo, mas eu estando em NY, te garanto que fica muito mais fácil de acontecer.
- Com certeza! E eu to morrendo de pena deles. – disse ele com cara de preocupado.
- Como assim? – Virando o corpo todo na direção dele, interessadíssima no que ele iria dizer. – Mas como que você fala isso do Hanson? Só por que eles estão meio sumidos do mapa? Todo mundo tem direito de ficar um tempo em Off, não acha?
- Acho. Mas você realmente acredita que eles “querem” ficar em “off”? – Intensificando as aspas com os dedos.

Mari já não estava entendendo mais nada. Quem Gustavo achava que era, que poderia ficar discutindo com ela a vida profissional da sua banda favorita, bom, ela não sabia, até que no meio da conversa, tudo se explicou:

- Meus amigos os conhecem. – Disse naturalmente como se tivesse tendo uma conversa totalmente normal. Mariana travou e apenas ficou de boca aberta. – E não precisa ficar com essa cara, por que já não me assusta essa reação de espanto das pessoas quando elas sabem disso.
- Eu ouvi bem? – chegando mais perto do amigo - Meus ouvidos devem estar de brincadeira comigo, só pode! Até parece que no Vôo que eu vou finalmente conhecer as minhas amigas e morar em NY, vou sentar bem do lado de um amigo dos amigos do Hanson!
- Então ta bom, se você não quiser acreditar, vou entender. – voltando a olhar para frente, naturalmente.
- Nããão, não é bem por ai, Gustavo. Também não vamos partir para a ignorância – rindo um pouco sem graça.
- Você acredita, então? – voltando a encará-la.
- Digamos que eu prefiro acreditar.. mas, Gustavo, você ia me dizendo que ta com pena deles? Por que? Aconteceu alguma coisa de grave que eu não fiquei sabendo?
- Mas você é maluquinha mesmo, hein? Primeiro faz que não acredita em mim, e agora quer obter todas as informações assim, como se fossemos velhos amigos?
- Queres que eu te suborne? Isso parece tão ridículo! – parando para pensar em alguma coisa um pouco inteligente – Tenho uma caixinha aqui dos meus chicletes favorito. Isso me ajudaria a escutar um pouco da historia? – mostrando a caixinha.

Gustavo começou a rir incontrolavelmente.

-Tava te testando, doidinha. Tava querendo ver até onde você iria, para ver se você era mesmo uma Fã. Não quero nada em troca, pode guardar essa sua caixinha. Para a sua informação, tenho umas três desses ais, na minha mochila. – apontando a sacola na parte de fora da mala de mão dele.
-Chato. Achei que você tava falando serio. Tava me assustando já, não saberia mais o que eu poderia te oferecer quando meus chicletes acabassem.. – os dois riram.


Eles passaram o resto da viagem falando sobre a crise na Família Hanson e Mari ficou horrorizada. Se aquilo fosse mesmo verdade, ela estava morrendo de pena do Hanson. Eles não mereciam isso. De jeito algum. Entre frases sérias e boas risadas, observavam a paisagem da janela do avião e comiam o lanche que o avião os proporcionava. Mari estava assustada com a beleza de Gustavo. Ele parecia alto [sim, apenas parecia, pois eles estavam sentados e assim qualquer um pode ter a altura que bem entendesse] Tinha cachinhos no cabelo marrom, tinha os olhos da cor de mel.. Estava em forma, era simpático.. enfim, a companhia perfeita para um vôo tão demorado. ‘melhor que isso, só um Taylor Hanson, senhor’ Mari pensava, dessa vez, sem sair nenhum tipo de som, olhando para cima, como se tivesse conversando [e agradecendo] com Deus.


::: Enquanto isso no Ceará :::

- Hane, promete para mim que tudo vai dar certo?
- Larinha, eu te prometo. Vamos fazer com que essa viagem seja inesquecível.. de um jeito bom! – Hane tentava acalmar a amiga no caminho para o aeroporto.
- É, você tem razão.. E esse táxi que não anda mais rápido? – Olhando para a parte da frente para ver se não tinha acontecido nada de acidentes, pois parecia que estavam andando quase para trás. Na verdade Lara estava nervosa.
- Calma, Lara! Logo vamos estar chegando lá.. a Mari deve estar a caminho.. Tudo vai dar mais do que certo!
- Hane.. – Lara falava olhando para o céu, assustada.
- Que? – respondeu hane enquanto procurava as pilhas do mp3 player na bolsa de mão que carregava.
- Acho que daqui a pouco vai começar a chover e andar de avião na chuva, não é a melhor das idéias.
- Ow bostenga! – com raiva – Não acredito nisso, deixa eu ver. – Indo por cima de Lara para ver melhor as nuves ficarem mais claras a cada relâmpago que acontecia – Verdade.. Mas vamos rezar para ser apenas nuvens passageiras.
- Mas vai ser sim! – Fazendo cara de quem estava rezando e ao mesmo tempo descontraída – Por que afinal, tirando o motorista e o cobrador.. todo o resto é passageiro! – começando a rir em seguida.
- Lara! – rindo - Desse jeito você acaba falando igualzinha a Mari!
- Mesmo? – Surpresa.
- Uhum! E por falar nela, to vendo um brilho vindo em direção ao nosso Aeroporto – hane leva uma das mãos ao peito - meu coração ta batendo mais forte e acho que ele ta querendo me avisar que o avião da nossa amiga já ta chegando!



E estava mesmo. O avião já estava entrando na sua reta final para a pista de pouso e Mariana estava super ansiosa para ver o que a esperava do lado de fora.


- O que foi isso? – Mari tava com os olhos arregalados de susto, depois de sentir que o avião deu uma balançada significativa para seu medo.
- Isso? – Gustavo se balançava como se imitasse o movimento do avião, enquanto Mari concordava com a cabeça – Ah, isso quer dizer que o avião ta caindo. – Olhando pela janelinha com toda tranqüilidade.
- Caindo?! Ta doido? – Apavorada.
- Para começo de conversa, Doido aqui é você.. e depois.. Quer ver? Nesse exato momento a equipe ta reunida numa salinha para ver como vão nos avisar do problema que estamos passando e daqui a pouco a aeromoça aparece para nos mostrar como agir um pouco antes do impacto.

Mariana estava só em olhos. Não sabia se levava a sério as palavras do seu novo amigo bonitão ou se dava gargalhadas do jeito que ele quase a fez acreditar que todos iriam morrer em poucos segundos. De fato, a aeromoça apareceu fazendo Mariana ficar séria em um instante. Era uma modelo morena de olhos grandes e claros, muito séria que se preparava para falar no microfone que estava grudado na parede:

- Senhores passageiros..
- É agora que ela vai nos avisar – Gustavo disse baixinho para Mari, que não tirava os olhos da moça parada lá na frente.
- .. Apertem seus cintos e desliguem seus celulares. Estaremos descendo em Fortaleza para uma escala de meia hora, dentro de alguns minutos para depois levantarmos vôo direto a Nova York.

Depois de sentir um imenso alívio, Mari olhou de canto de olho para Gustavo que parecia estar se divertindo com as caras de apavoro que sua mais nova colega.

- Eu não poderia, em hipótese alguma, deixar passar essa oportunidade de te assustar. Quando que eu teria uma segunda chance?
- Tomara que você tropece e caia de boca no chão quando sair do avião, gracinha. – séria, apertando o cinto.
- Vai dizer que ficou braba?
- Você me assustou de verdade, sabia? – Olhando bem nos olhos dela.
- Percebi – dando umas risadinhas.
- Ai que raiva que eu to de você! Percebeu mais o que, “tavinho”? – Olhando séria e vermelha de raiva dele.
- Percebi também que você, mesmo nervosinha, fica bunitinha, sabia?
- grrr.. Tomara que eu não te encontre de jeito algum nos Estados Unidos, e se encontrar, vou fingir que não te conheço! – levantando, pois as portas já estavam abertas. – E mais.. – se virando bruscamente fazendo Gustavo quase se chocar com ela ao tentar sair da poltrona – Bunitinha é uma feia arrumadinha! – virando e andando em direção a porta mais próxima.


- Hane, a chuva decidiu cair mesmo e com vontade! Como que vamos sair desse táxi com nossas malas, sem nos molhar? – Lara olhava para fora da janela, analisando o melhor jeito de chegar seca ao aeroporto.
- Vamos ter que conseguir! Até parece que vamos nos encontrar com a nossa amiga, e a primeira impressão que ela vai ter de nós duas é que somos feias e descabeladas! Deus que livre! – as duas riram.
- Verdade. Quem sabe podemos usar esses nossos casacos para tampar a cabeça e depois vamos até o banheiro e nos arrumamos. Falta meia hora ainda para embarcarmos. – Lara deu uma brilhante idéia.

O táxi finalmente parou e elas já estavam prontas para pegar as malas atrás, no bagageiro, e correr para a marquise. A corrida de R$15,00 já estava paga pela mãe de Hane, antes de saírem de casa. A cena, se não fosse engraçada, seria trágica. Duas adolescentes cheias de malas, com casacos cobrindo a cabeça, correndo em passos rápidos e miúdos, no meio da rua de Fortaleza.

- Ufa, chegamos. – Disse hane tirando a sua jaqueta da cabeça, para poder enxergar melhor Lara.
- Ai meu cabelo, ta tudo revirado, agora! Vamos... – mas ela não teve tempo de terminar a frase, quando escutou a moça do microfone anunciar: - Os vôos previstos para Califórnia e Nova York, que acabaram de chegar, não terão atrasos, devido ao mal tempo. – Lara acabou de escutar e se juntou com a Hane numa só voz – Maaaaaari!!!
- A mari já ta no aeroporto, Larinha, A mari já ta no aeroporto, Larinha, A mari já ta no aeroportooo!! - pulando
- Você tem que falar mais uma vez para eu entender direito..
- A mari já ta no aeroporto!
- Bestona, eu tava brincando! – rindo. – vem, vamos ao banheiro dar um jeito nos nossos cabelos antes que a Mari nos veja, se assuste e.. – contando nos dedos - Ou caia no chão de tanto horror, ou passe por nós e finja que nem nos conhece, ou ainda dê meia volta e volte para Santa Catarina, é por ali o feminino.
- Melhor irmos mesmo, mas as malas estão pesadas, meu ombro não agüenta mais, Lara.
- É ali pertinho, você vai ver.
- Então vamos.


.


- Vai me seguir?
- Até onde você deixar, doidinha. – sorrido safado.
- Para começo de conversa, doidinha é a vó pêpa, e depois, estamos na chuva e to me molhando toda – com cara de quem ta odiando estar na chuva.
- Eu divido com você meu casaco e você não se molha, pode ser? – mostrando que tem espaço suficiente para os dois.
- Certeza? – toda molhada. – Se você quiser, já pode ir com os seus amigos, vou ficar bem, mesmo estando sozinha.
- Vem aqui, anda, certinha. – Chegando mais perto.
- Certinha?
- Se doidinha não pode ser, né.


Mari foi para perto de Gustavo e eles foram em direção ao Aeroporto para ficarem seguros no lugar seco.

- Obrigada, “tavinho”. – eles riram e entraram na porta onde todos entravam o mais rápido possível para se livrarem do vento molhado de chuva.
- Acho que é isso, mari. Tomara que você se encontre com as suas amigas facilmente. E.. – chegando mais perto – doidinha, pode deixar que mando um beijo bem quente e molhado pro Taylor Hanson.
- Duvido.
- Então me aguarde. – Caminhando em direção dos amigos – Você tem meu telefone e sabe onde me encontrar – Dando uma piscadela.

Mari estava oficialmente sozinha. Preocupada em achar as amigas e vários lugares em que poderia procurar. Havia muitas pessoas e com certeza estavam sempre com muita pressa. Era a hora de tudo começar a acontecer.

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