terça-feira, setembro 05, 2006

Capítulo 6

- Ta contando estrela? – Diana chegava no ouvido de Walker enquanto o marido observava o céu estrelado.

- Oi Di. Nem vi que você estava aqui. – Ele se virava para chamá-la para sentar com ele na sacada chique do Hotel.

- No que você está pensando?

- Em você, em nós, na vida que vamos levar daqui pra frente.. no momento especial que acabamos de passar..

- Em como estamos felizes e fizemos a coisa certa?

- Principalmente nisso. – Um sorriso.

- Walker?

- Sim, di? – Olhando pra ela.

- Eu te amo. Muito. Obrigada por me fazer sentir a mulher mais especial do mundo – ela olha para as estrelas.

- Você é, Diana. Acredite – e traz a cabeça da esposa para deitar em seu ombro.


E assim foi o resto da noite do mais novo casal de Tulsa. Os dois foram morar numa casinha humilde, mas muito aconchegante. Era perto da igrejinha onde eles se conheceram, enfim.. eles estavam em casa.

***

Era 14 de Novembro, sexta feira de 1980. Diana estava grávida de nove meses. A barriga redondinha já alertava que a qualquer momento um Hanson estaria nascendo naquela nova família.
- Walker. Eu não agüento mais!! – Diana reclamava enquanto tentava se levantar do sofá, numa das inúmeras tentativas frustrantes.

- Vem cá, deixa que te ajudo. Força, vai!! – Walker pegava na mão dela e nas costas para ela não se machucar. Era o primeiro filho. Walker já estava com os nervos a flor da pele, mas tinha que passar toda segurança do mundo para Diana, marinheira de primeira viagem.

- Ufa! – Ela falava se levantando – Mais uma dessas eu não agüento mais! Quem foi que disse que ficar grávida é bom? Bom para machucar as costas, perder a visão do meu próprio pé..

- Querida, você esta bem?? Posso ir para o trabalho sossegado?

- Pode, meu querido. Não se preocupe comigo. E vai aproveitando bem esses últimos dias da minha gravidez, por que vai ser a ultima! Deus que me livre, passar por isso novamente.. Coisa de louco!

Walker apenas ria enquanto ligava o carro para mais um dia na empresa de petróleo que trabalhava, junto a George, seu sogro. George estava vendo estrelas de felicidade por ser avô. Walker agora era seu ídolo, por proporcionar tanta felicidade aos Francis.

Já na casa de Diana, ela aproveitava para descansar. Nem trabalho de casa ela estava fazendo. Graças as suas amigas e mãe, mantinha tudo em ordem, a espera do nascimento do seu bebe.

TrimMmMm!! TriMmMm! – Toca o telefone.

- Já vaaai! – Diana gritava para o telefone enquanto procurava o aparelho no meio das cobertas, já que levaria muito tempo tentando se levantar para atender. Seria esforço demais para uma grávida sozinha e sensível – Te achei! – liga o telefone – Alo? Oi Duda!! Ai, que bom que você me ligou, eu to aqui, na mesma, Sem tomar muita água para não ter que levantar para fazer xixi, pés para cima para não inchar mais e meus chinelos servirem.. Resumindo, to um trapo! – Duda fala um pouquinho e Di continua – Duda! Jura que você faria isso por mim?? Vai sacrificar uma sexta feira para cuidar de mim? So sweet of you!.. Então ta. Deixa eu começando a me levantar, por que pelo jeito que eu to, quando você estiver na porta, eu consigo ficar de pé. – as duas riram – Beijo para você Duda, até daqui a pouco!

Diana fez o que prometeu e deu bem certo. Duda, como morava perto, chegou na casa da amiga bem na hora que ela havia chego na porta para abrir.

- Duda, vem... entra! – as duas se abraçaram - Vai começar um filme lindo. Vem assistir comigo!

As duas entraram e foram até a sala.

- Di, eu sei que você deve estar se sentindo péssima, gorda, pesada.. mas posso te dizer uma coisa que ta gritando no meu coração?

- Pode – falando com medo de uma resposta.

- Você está.., Linda! Ta com os olhos brilhando.. ta com cara de mãe, sabe?

- Ahh, mesmo?? – Felicidade – Só você para me tirar dessa amargura – se abraçam novamente – mas venha aqui, antes do filme começar, deixa eu te mostrar o quarto do bebe!! Já esta prontinho!

Walker e Diana não sabiam se iria ser menino ou menina, por isso, o quarto era todo branquinho com detalhes em amarelo. Era simples, mas foi feito com muito carinho para esperar o novo Hanson.

- Di!! – Duda olhava em toda a volta – Que lindo que ficou! Da ultima vez que eu o vi, ainda não estava todo pronto. Olha esses ursinhos!! Quando será que eu desencalho e arrumo um Walker na minha vida??

- Se você procurar, não acha. Tem que deixar acontecer. Espere que logo, um sapinho se revela pra você! – Di falava acariciando um ursinho como se fosse o próprio bebe.

- Tomara que você esteja certa! Mas vamos parar de falar de mim, por que agora o momento é seu! – Duda pegava nas mãos de Di e a carregava para fora do quartinho em direção ao quarto do casal para elas se ajeitarem e verem o filme.

Duda foi na cozinha, preparou dois baldes com pipoca, um litro de suco de maracujá para acalmar os nervos de Di e se juntou a amiga nas cobertas.

- O que vamos ver? – Duda pergunta curiosa

- Dirty Dancing, com o Patrick Sweize, Gosta?

- Ual! Eu amo! Já vi milhões de vezes, mas nunca é demais!

As duas se arrumaram, bem confortáveis, Di estava cheia de almofadas nas costas para não machucar e Duda estava com um olho no filme e outro na amiga. Aquela barriga assustava!
Di estava meio inquieta na cama, não tinha mais nem posição para sentar e então resolveu pedir ajuda a amiga:

- Duda?

- Oi Di, ta tudo bem?? – preocupada.

- Tah.. mas minha barriga ta dolorida.. e eu nem tenho mais posição. To ficando preocupada. Nunca senti isso antes... – falava meio chorosa.

- Ave Maria! – falava com a mão na cabeça se ajeitando para ver melhor a amiga – Di.. Você tomou muito suco de maracujá? – Duda estava só em Olhos. O.O

- Só um pouco, pq?? O que você ta vendo que eu não to?

- Sua bolsa! Sua bolsa rompeu!

- Minha oq? Minha bolsa?? Você tem certeza? - assustada

- Ou é isso, ou você fez xixi na cama! – elas estavam muito preocupadas para rirem de alguma coisa.

Não demorou muito, Diana começou a sentir dores muito fortes na barriga, já imaginando que seu bebe queria conhecer o mundo de fora.

- AAAAAAAHHH.... Duuuddaaa.. Aaahhh.. Isso dói!!! – Diana gritava sentindo uma das varias contrações que estava passando.

Duda corria a casa inteira atrás de algum telefone para ligar para o Walker, Jane.. qualquer pessoa que pudesse ajuda-los naquela hora difícil.

- Di!! Cadê o telefone?? Eu preciso ligar para alguém!!

- Ta aqui! Ta aqui na cama... aaahhh..

- Calma, Di, calma!! Já vou ligar para alguém.. Calma..

Duda liga para Walker..

- Alo? – Duda havia achado Walker – Walker? Aqui é a Duda, eu to na sua casa e a Di não ta muito bem. Na verdade, a bolsa estourou e ela pode ter o bebe a qualquer momento – Di dá um grito que o Walker pode escutar – a partir de agora!!

- Mas.. JÁ? – Walker estava surpreso – Meu... Meu bebe? Ele já vai nascer?? – Walker falava e ao mesmo tempo deixava o telefone no lugar e com os olhos cheios de lagrimas. Corria pelos corredores da Empresa, para dar o recado para o novo Vovô e pegar o carro para ir para casa.

***

Walker estava vindo correndo para prestar socorro a Diana que estava bem, mas as dores que iam e vinham, eram muito fortes!
Agora, mais do que nunca Diana podia ter a certeza de que seu bebe estava bem perto de nascer. As dores que estavam fortes, mas não muito freqüentes, significava que ainda tinham um certo tempo pela frente.

- Di, onde ta a malinha do bebe? Você já fez, né? – Olhando assustada para amiga, mas ao mesmo tempo falando baixo para não alterar ainda mais os nervos da grávida.

- Que tipo de mãe que você acha que vou ser? O que você acha? Não faço nada o dia inteiro, algo de produtivo tinha que sair! Ta lá no quarto. – apontava para a porta do quarto do bebe achando graça do que disse.

- Sua boba! – passando por ela e mostrando a língua – Vou lá buscar, e você fique bem sentadinha aí, descansando – mostrava o sofá atrás de Di.

***
Nada de Walker.
Sexta feira costumava ser um dia bem movimentado, mas naquele dia em especial estava MAIS. Tulsa estava num engarrafamento só e provavelmente Walker estava num desses. Coitado dele, além de estar nervoso, o trânsito não ajudava.

*Tudo parado*

***

- Di, me desculpe, mas nem sua mãe, pai, marido, cachorro, papagaio, apareceram e eu como sua amiga, não posso te deixar jogada ao vento quase parindo um filho pelo joelho!

- E o que você esta pensando em fazer? – com aquela mesma cara de assustada, mas agora já estava cheia de duvidas.

- Vou lá em casa buscar o carro do meu pai e te levar para o hospital. Simple like that.

- Simples assim.. aham.. A ta. – Di pensa um pouco – Me levar DE CARRO? TAH LOCA? Você nem sabe diferenciar se o vermelho é para parar ou andar mais rápido! Por um acaso você sabe o direito e o esquerdo?

- ... – Duda fica uns segundos olhando bem nos olhos da Diana como se estivesse pensando numa boa resposta – Direito é a mão que eu escrevo.. e quer saber?? FUI! – Saindo pela porta principal para passar em casa e pegar o carro.

* Quinze minutos mais tarde *

BiiIiii Biiiii!!! – o carro do pai de Duda havia chego no portão da casa da Família Hanson.
Duda abriu bem as portas para facilitar a entrada da amiga, foi até a casa ajuda-la a andar e terminar de convence-la de que não poderiam mais esperar e que sair daquele jeito seria a melhor coisa a se fazer.

A cena se não tivesse tão séria, seria um tanto engraçada.

- SAI DAÍ!!! – Duda gritava pela janela para os carros que estavam na frente dela saírem. Sem duvidas ela não tinha idéia do que estava fazendo, mas os anos que andou no carona do pai finalmente serviram para alguma coisa. O carro fazia uns barulhos estranhos, assustava as duas, mas elas não ousavam falar nada para a situação não ficar pior.

As dores de Di, haviam melhorado bastante, mas elas não podiam esquecer que a bolsa havia estourado e isso era um forte indicio que um bebe estava chegando. Depois de varias tentativas frustradas de estacionar o carro, Duda parou no meio da rua para Diana descer e ir para o hospital. Confusão, claro.

Depois daquela coisa toda de preencher papelada, chamar médico e ser levada de cadeira de roda para o quarto, os nervos de Duda estavam melhores. Sim, pois Diana estava tão calma que nem parecia que iria parir uma melancia.

Os médicos eram muito prestativos. Trataram a grávida muito bem e a deixaram num quarto que ela tinha que dividir com só mais uma pessoa, mas que naquela hora estava só para ela. Clark Greyson era o médico de Diana. Alto, moreno e bonitão. Solteiro. Duda gostou.

- Boa Tarde meninas! – Clark havia entrado no quarto de Diana.

- Boa tarde! – Duda toda derretida.

- Como vão as coisas por aqui?

- Agora, humm.. ta um pouco calor, mas.. já passa.. – Duda respondia olhando para o bonitão enquanto se abanava e Diana a olhava com cara de indignação.

- Eu estava me referindo a paciente.. – falando olhando para Duda intrometida. – Mas, então, muitas dores? – agora olhando para Diana.

- Agora está bom, Doutor, Mas antes.. aahh.. não gosto nem de pensar. – fazendo cara feia.

- Faz muito tempo que a bolsa estourou?

- Uma hora – as duas responderam.

- Isso tudo?? – espantado.

- Isso quer dizer que... – Diana esperava uma complementação do medico..

- Isso quer dizer que poder ser que teremos umas boas horas para essa criança nascer, ou pode ser agora mesmo.. Vamos fazer uns exames e já lhe falo com certeza todas as informações.

- Tudo bem – Di estava um pouco ofegante agora, mas não passava de puro nervosismo.

- Cadê o Pai? – Clark estava perguntando por Walker. Diana começou a chorar..

***

Walker finalmente havia chego em casa. Na hora, quando percebeu que não havia ninguém, passou por sua cabeça que Duda poderia ter levado sua esposa para o medico, mas aquilo era uma idéia tão ridícula que ele resolveu procurar mais a fundo na casa..

- Di? Você está ai? – olhando bem no quarto do bebe e rindo enquanto falava – Eu, por poucos segundos imaginei que você poderia ter ido para o hospital com sua amiga que não sabe dirigir.. e.. Di? – nada da esposa. Di?? – Uma mão pousou no ombro de Walker e ele deu um pulo+grito de susto.

- Sou eu! Ta me estranhando? – Era George.

- Oi – ofegante – Eu acabei de perceber que não tinha ninguém em casa e por isso uma mão misteriosa no meu ombro poderia ser..

- Uma alma penada?

- Exatamente. – coçando atrás da própria cabeça com vergonha do que havia pensado.

- Hum.. cadê minha filha? – Olhando em volta – Você não disse que meu netinho iria nascer?

- Disse. Mas quando eu cheguei aqui a casa estava desse jeito e então cheguei a conclusão de que ela pode já estar na Maternidade. ... Com a amiga que não sabe dirigir.

- O que?? A minha filhinha.. além de grávida, correndo risco de morte? O que você esta esperando para correr para lá? Oww cabeça. Venha, vamos no meu carro.

E assim fez Walker. Os dois foram para o Hospital. A sorte, era que a Maternidade ficava para o outro lado da cidade, longe dos engarrafamentos.
Chegando no destino, e depois de pedir todas as informações corretas, Walker e George entraram na porta certa onde encontraram Diana e Duda conversando com o médico.

- Aqui está você! – Walker ia até Diana para lhe dar um beijo e fazer um carinho em sua barriga.

- Walker! – As lagrimas se tornaram sorrisos – Pai! – George também chegava mais perto para lhe dar um abraço, mas Diana ainda estava procurando alguém – Cadê a Mamãe?

- Jane! – George colocava a mão na própria testa. – Era isso que eu tinha que fazer! Já que vi que você esta bem, vou lá em casa busca-la. – dando um bjo na testa da filha. – Você está linda..

- Pai... – as lagrimas voltaram..

- Mas e aí Doutor? Como que anda minha esposa?

- Eu estava mesmo esperando o senhor para dar todas as informações importantes. A bolsa dela estourou, mas ela está com pouquíssima dilatação, por isso, teremos que esperar mais um pouco para que a dilatação chegue pelo menos a 10 cm. Isso pode demorar um pouco. E enquanto isso, eu gostaria que o quarto não ficasse muito cheio pois a paciente precisa de tempo e espaço para descansar, ela irá passar por um desgasto muito forte.. então se vocês puderem ajudar..

- Tudo bem.. – Todos responderam e Duda resolveu esperar na salinha fora do quarto depois de dizer a sua amiga que se precisasse de alguma coisa, era só chamar.

Walker estava com sua esposa. Ambos estavam nervosos, mas as dores de Di haviam melhorado muito.

- Meu amor.. – Walker pegava na mão de Di e a olhava nos olhos

- Eu te amo.. vamos ter nosso filho hoje.

- Filho? Como você pode ter certeza que é um menino?

- Ah.. coisa de mãe. – Risos. – Você mal deu a luz e já está tendo “coisas de mãe”?

- Pois é.. e, eu estava aqui, só pensando no nome que poderíamos chamá-lo.

- Mas e se for menina?

- Ai, agente pensa nisso uma outra hora. Eu queria que fosse algo especial. Sabe?

Havia um radinho no quarto onde Diana estava e estava tocando uma musica dos Jacksons Five que Diana gostava muito.. Walker se sentou ao lado da cama e então eles fecharam os olhos e começaram a prestar mais atenção no que ouviam..

Stop! Na na na you better save me
Stop, stop, stop you better save me yeah
When we played tag in grade school you wanted to be it
You chased those boys
You testified
You crossed your heart you'd quit
When we grew up you traded your promise for my ring
Now just like back in grade school you're doin' the same old thing
[…]
Isaac said he kissed you 'neath the apple tree
When Benji held your hand you felt electricity
When Alexander called you, you said he rang your chimes
Christopher discovered you way ahead of your time

Stop! The love you save may be your own
Darlin' take it slow or someday you'll be all alone
You better stop the love you save may be your own
You're heading for a danger zone

Hold on, hold on, hold on, hold on
S is for save me
T is for take it slow
O is for oh no
P is for please, please don't go”

- ISAAC! – Diana exclamou

Nenhum comentário: